Chá de Domingo #69: Escrever um Conto – Parte 3

Estão prontos para mais algumas orientações de como construir um conto? Podem ler a primeira parte do artigo aqui e a segunda aqui.

 

Depois dum início fantástico em que prendemos o leitor, não queremos desapontá-lo. A melhor maneira de o fazer é não encher chouriços:

O que não escrever num conto:

– Viagens: Evitar frases, como por exemplo, “Mais tarde, no escritório…”
– Redundâncias: A personagem principal a contar a uma secundária o que acabamos de ver acontecer.
– As expressões faciais do protagonista quando esta é o narrador: Para isso temos os pensamentos da personagem.

Personagens

É preciso ter cuidado com as outras personagens para alem do protagonista (e possível antagonista). Embora não precisem de ser tão trabalhadas como numa novela, é necessário que não sejam meros acessórios. Deixo-vos duas ligações com dicas para criar personagens (feitas a pensar num livro):

Ponto de Vista
Há três pontos de vista que podem ser usados no conto:

  • Primeira Pessoa
    • A história é contada pelo Eu. O narrador é o protagonista, é afectado pelos acontecimentos ou narra a história do protagonista. É um boa escolha para iniciantes, pois é mais fácil de executar.
    • “Eu vi uma lágrima na bochecha do meu pai. Nunca o tinha visto chorar. Desviei o olhar enquanto ele limpava a face.”
  • Segunda Pessoa
    • A história é contada ao Tu, tornando o leitor num participante da acção. Uma aplicação são as história interactivas, não sendo muito usado no tradicional conto impresso.
    • “Ris-te da figura do palhaço. Bates palmas de contentamento.”
  • Terceira Pessoa
    • A história conta o que Ele ou Ela fazem. A perspectiva deste narrador pode ser limitada (centra-se apensa numa personagem) ou omnisciente (em que sabe tudo sobre todas as personagens).
    • “Ele atravessou a rua, sem sequer verificar se vinha algum carro.”
Uma história contada na primeira pessoa consegue ter um maior impacto, pois o leitor sente uma maior ligação ao narrador. Infelizmente encoraja mais o contar que o mostrar. A terceira pessoa é bastante usada, no entanto, aconselho cautela no seu uso. No caso do narrador omnisciente é importante conseguir uma boa transição entre cenas. O narrador limitado oferece uma exposição mais intima de uma personagem, que poderá não estar presente em todas as cenas.

Diálogos
Os diálogos são uma pedra basilar dos contos. Podem ler algumas dicas sobre os mesmos neste artigo.

Cenário

O cenário inclui tempo, localização, atmosfera e contexto:

  • Combinar o cenário com a caracterização e com a trama.
  • Incluir apenas os detalhes necessários para o leitor poder visualizar a história e deixá-lo preencher as lacunas não-essenciais por ele mesmo. Não vamos descrever toda e cada acção da Maria desde que sai de casa até ao trabalho se isso não for realmente relevante para a história.
  • Usar os sentido, não se limiter apenas à visão.
  • Ao invés de inundar o leitor com informações sobre meteorologia, população ou quão longe é o supermercado, caracterizar os detalhes, de modo a mostrar ao leitor o ambiente como a personagem o experiência.

Temos quase tudo o que precisamos. No próximo artigo iremos focarmos-nos na tensão e climáx.

Algumas partes foram traduzidas a partir deste artigo.

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