Chá de Domingo #79: Corte do Norte

Conheçam a Corte do Norte, a qual tive o prazer de entrevistar, tal como tinha prometido aqui.

É um grupo de pessoas que tem experiência individual em participação e voluntariado de eventos, e que organizou colectivamente a EuroSteamCon 2015 de Portugal. Entre os membros contam-se escritores, músicos, designers, costureiros, roleplayers, e claro, aficionados pelo género steampunk.

(adaptado do site)

1 – Entre tantos géneros literários e artísticos, porquê o Steampunk?
A Corte do Norte não é exclusivamente um grupo de steampunk. Somos, antes de mais, um grupo de amigos com bastantes interesses em comum, quer seja livros, filmes, jogos, banda-desenhada, entre outros. O steampunk é apenas um desses géneros, visto que junta tanto daquilo que gostamos: história, época vitoriana, aventuras, gadgets, e a oportunidade de nos vestirmos a rigor e termos justificação para o fazer. Segundo experiência própria as pessoas normais tendem a olhar-nos de lado se nos vestíssemos sempre assim.

2 – Como é que se envolveram na organização do EuroSteamCon? A Corte do Norte foi criada para esse efeito ou já existia antes?
A Corte do Norte existia como um grupo informal de amigos escritores, que se conheceram através do Nanowrimo, um concurso de escrita. Estivemos nas duas edições anteriores da EuroSteamCon Portugal, e foi com pena que registamos a sua ausência em 2014. Depois de atirar algumas ideias ao ar e de muita ambição entre nós, perguntamo-nos “porque não fazermos nós?”. Com tantas pessoas de áreas diferentes no nosso grupo, com certeza que conseguiríamos fazer algo interessante. Depois de falar com a organização anterior e de obter a sua bênção, procedemos então a um ano inteiro de organização, entrevistas, e brincadeiras.

3 – Que outros projectos tem para além desse?
Ideias é algo que não nos falta, mas torná-las em projectos finais é mais difícil. Ora por ambição a mais, ora por falta de apoio por organizações e instituições do país, este tipo de convenções ou eventos ainda não têm muitas oportunidades em Portugal.
Mas temos outros projectos que podemos organizar entre nós, e estamos neste momento a debater alguns! Em breve talvez tenhamos notícias.

4 – Como está o género em Portugal, tanto em termos de artistas como de público?
Em parte aliado ao que referimos acima, Portugal ainda tem muito para desenvolver neste campo. Convenções grandes como a Comic Con ou a IberAnime têm resultados, mas projectos mais pequenos têm bastante dificuldade em vingar. Muitas vezes porque os espaços não são cedidos, ou pedem fundos que não existem em grupos sem fins lucrativos como nós. Outras vezes porque ainda não há público suficiente para garantir sucesso em eventos assim.
A comunidade steampunk em Portugal, embora não muito grande, é bastante activa. Nós não somos um grupo especificamente deste género, mas a Liga Steampunk em Lisboa é, e podemos vê-los em vários eventos ao longo do ano. Há várias pessoas a vestirem-se do género, a fazerem photoshoots, cosplays… É uma comunidade leal ao género e activa.
Mesmo assim, organizámos uma campanha de Indiegogo para trazer cá um convidado na próxima EuroSteamCon Portugal e não conseguimos o mínimo necessário. Talvez a comunidade não seja grande o suficiente, ou talvez cá ainda não haja o mindset necessário para apostar em projectos deste género. Talvez tenha sido a crise! Portugal tem potencial, mas ainda tem bastante que crescer.

5 – Steampunk não é só literatura, é também BD, Ilustração e Vestuário. Falem-nos um pouco dessas vertentes, e de outras, e do que existe em Portugal.
Infelizmente ainda não existe muito nesta área em Portugal. Se formos a ver, o steampunk é um nicho dentro dos géneros de fantasia e ficção-científica, e mesmo os autores e artistas desses géneros não são uma multidão neste país. Temos alguns artistas com banda-desenhada no género, como a dupla Marta Patalão e Tiago Bulha, ou Diogo Carvalho, e Carla Rodrigues. A SkyPirate Creations e a Elfic Wear fazem roupas steampunk. Mas o mercado steampunk português, fora dos Almanaques publicados em 2012, 2013, e 2015, tem ainda pouco (embora bom) a mostrar.

6 – Para quem nunca leu nada de Steampunk, nem tem nenhuma ideia do que se trata, qual seria o livro que aconselhariam a essa pessoa para que tivesse uma boa impressão do género? Porquê?
Escolher um só livro é limitativo, porque mesmo os fãs de steampunk têm gostos diversos! Existem várias escolhas:
– Qualquer uma das séries da Gail Carriger para quem gosta de heroínas independentes em mundos com criaturas sobrenaturais, e gadgets steampunk misturados com regras de etiqueta social;
– Os livros da Cherie Priest, história alternativa com zombies, zepelins, e bastante aventura pelos Estados Unidos em guerra civil.
– Por outro lado Scott Westerfeld em Leviathan pega na Primeira Guerra Mundial, numa mistura de máquinas steampunk e monstros criados através destas tecnologias.
Existem tantas possibilidades, não só em livros. O ano passado escrevemos um guia na revista Bang! precisamente sobre este tema. Aqui está o link para a edição online: http://revistabang.com/2015/08/04/bang-18-disponivel-online/

7 – Podem adiantar algo sobre o EuroSteam Con deste ano?
O que podemos adiantar para já é que em principio, devido à campanha Indiegogo não ter sido bem sucedida, não irá haver EuroSteamCon Portugal 2016. Talvez haja algo diferente, outro tipo de evento, mas nada como no formato do ano passado. Temos ideias e projectos que queremos anunciar, dependendo de como tudo correr, e em princípio estaremos na mesma presentes na Comic Con Portugal deste ano. Mas se houver interesse e apoio para uma futura convenção, talvez consigamos voltar no próximo ano!

Agradeço a disponibilidade da Corte do Norte para responder às minhas perguntas e faço votos que os próximos projectos sejam bem-sucedidos.

Saibam mais sobre a Corte do Norte no seu Website e no seu Facebook.

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