Livros: O Bobo

De vez em quando sabe bem pegar num clássico.

Autor: Alexandre Herculano

Sinopse: As convicções liberais levarão, em 1831, Herculano ao exílio em Inglaterra e França, donde parte para a Terceira, juntando-se à expedição liberal de D. Pedro que participará no Cerco do Porto. A experiência do exílio atravessará a sua vida e obra a ponto de se dizer um “trovador do exílio” – exilado longe da pátria e exilado no seu próprio país, vivendo o conflito entre projetos ditados pelo amor fervoroso à liberdade e o desencanto da ação política num mundo como exílio de Deus.(…) No romance O Bobo, o palco da ação, concentrada em apenas três dias, é o castelo de Guimarães e envolve uma movimentada trama política capaz de exaltar o espírito nacionalista conjugada com um enredo passional onde não faltam paixões exacerbadas que cruzam vingança e entrega numa atmosfera gótica cheia de subterrâneos, fugas, passagens secretas (…) Ação complexa e tensa, manipulação do suspense, enfoques narrativos diversos, interpelação ao leitor, variedade de tons, realismo descritivo, vivacidade coloquial, riso galhofeiro, exaltação melodramática, tudo contribui para fazer de O Bobo, «0 nosso romance histórico mais perfeito», na opinião de João Gaspar Simões.
Não foi a primeira vez que li este livro. Recordo-me de o ter lido com treze ou catorze anos, se bem que já não me lembrava que quase nada. Sou obrigado a ser indulgente com um autor que não via a prosa prolixa como um problema. Se fosse um autor contemporâneo, teria de ser mais severo em relação ao problema mostrar/contar. Contudo, quando este livro foi escrito, essas noções ainda não eram conhecidas. Para além disso, a complexidade das personagens, em especial as dinâmicas associadas ao triângulo amoroso. O protagonista não se faz notar durante a maior parte do livro, mas creio que isso foi intencional. Assim que somos agarrados pela acção, a leitura torna-se mais agradável. Como cereja no topo do bolo, não notei qualquer incongruência nos factos históricos, não fosse o autor um historiador. Em suma, um boa leitura para todas as idades.
Recomendo a quem gostar de um bom romance histórico e/ou de um clássico da literatura portuguesa.
Classificação: 4 estrelas

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