Chá de Domingo #9: Editoras

Esta já me andava entalada há algum tempo. Peço desculpa se para algumas pessoas estou a dizer o óbvio, mas muito boa gente anda por ai enganada.

Para deixar isto bem claro, existem três tipos de editoras:

  1. Editoras Comerciais de Grande Público
  2. Editoras Comerciais de Pequeno Público
  3. Editoras Levianas

Vou analisar cada um dos tipos, tentando ser objectivo.

Editoras Comerciais de Grande Público

São editoras que mais importam livros, sendo responsáveis pela maioria das traduções. É muito raro investirem em novos talentos. Fazem-no através de concursos que estão condicionados pelas opiniões dos seus membros. Uma das abordagens mais utilizadas para levar “sangue novo” à editora sem grande compromisso, é a publicação de antologias, no caso da Saída de Emergência. A Presença, por sua vez, tem mostrado mais abertura a autores estreantes através da casa-mãe ou diferentes chancelas. Todavia, essas iniciativas ainda são muito raras. Pertencem a um conjunto de pessoas e por vezes a outras empresas maiores. Não cobram pela edição, mas podem demorar meses a responder, isso é, se alguma vez o chegarem a fazer. São as primeiras a serem abordadas pelos autores, por serem as mais conhecidas. Claro que todos querem publicar por estas editoras, pois elas possuem uma rede de distribuição sofisticada e é garantidos que os livros irão aparecer nas prateleiras das principais livrarias e que haverá uma promoção séria do mesmo. Contudo, o objectivo principal destas editoras é o lucro!

Editoras Comerciais de Pequeno Público

Exemplos: Arauto
São editoras com um orçamento limitado, geridas por pessoas motivadas mais pelo gosto do que pelo lucro. Investem em novos talentos, criando pequenas edições que alvejam pequenos nichos de mercado. Por norma, também não cobram pela edição, mas só aceitam manuscritos de um certo género. Por contraste às de grande público, são empresas pequenas com menos preconceitos em responder às submissões. Não se pode esperar que estas editoras consigam distribuir os livros com eficiência, baseando-se muito na palavra de boca em boca e nos pequenos grupos de fãs. Devido às dificuldades económicas para manter um negócio rentável, tanto aparecem como podem desaparecer passado alguns meses, abrindo falência, mudando a estratégia para o grande público ou tornando-se levianas. Carecem de um plano de negócios forte e vêem-se sobre forte pressão dos outros dois tipos de editoras. Pela sua instabilidade e falta de reputação, os autores não costumam apostar nelas.

Editoras Levianas

Este é o tipo de editora mais numeroso. Em geral são pequenas empresas que editam qualquer género de livro, estando receptivos a qualquer autor, mesmo os desconhecidos. A grande desvantagem deste tipo de negócio é que eles cobram pela edição do livro, não se preocupando muito com a distribuição ou promoção do mesmo. Muitas destas empresas são conhecidas por não reverem os livros e não lhe darem um design profissional, mas como em muitas coisas, há excepções à regra. Por vezes, os contratos são abusivos, prendendo o livro e o autor à editora durante vários anos. Outro esquema usado por estas editoras são antologias, em que aceitam um número imenso de autores, esperando receber o seu lucro pelas vendas dos exemplares aos escritores que participaram.
Quero agradecer ao Carlos Silva e ao Vitor Frazão pelas valiosas sugestões.

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