Chá de Domingo #68: Escrever um Conto – Parte 2

Hoje vamos continuar com as orientações para construir um conto. Podem ler a primeira parte do artigo aqui.

 

Depois de tratarmos do esqueleto do conto, está na altura de lhe darmos, substância, isto é, de preenchermos o esqueleto com descrições e acções que conduzam a história.

Um exercício interessante

Antes de começar a escrever, depois de termos respondido às questões, um bom exercício para os que se estão a iniciar é ir ler contos dos seus autores favoritos. O objectivo é ver como é que pegaram na ideia central e a desenvolveram. De notar que um bom escritor não se limita a mostrar sentimentos, causa-os no leitor (não digam a ninguém, mas este é o grande segredo de se ser escritor).

 

Recomendo: Mia Couto, Earnest Hemingway, Ray Bradbury, Alice Munro e Anton Chekov e George RR Martin.
Estrutura
É necessário planear a estrutura do nosso conto. Já escrevi vários artigos sobre o assunto:

Com a resposta às perguntas que coloquei no artigo anterior, não é complicado desenvolver a estrutura do contos.

Agora que fizemos o trabalho de casa, está na hora de finalmente começarmos o escrever.

Primeiro Parágrafo
Quer queiramos ou não, todos julgamos os livros pela capa. No caso dos editores do vosso contos, ou os vosso leitores, eles irão julgar-vos pelas primeira linhas. Logo, o primeiro parágrafo é fundamental.
As primeiras linhas tem de providenciar uma espécie de isco. é necessário dar informações que indiquem ao leitor que tipo de história se trata e quem é protagonista, ao mesmo tempo que introduzem uma situação suficientemente interessante para que o leitor queria pegar na história. Para além disso, não queremos que o parágrafo seja demasiado longo. Parece complicado? é complicado, é normal os escritores (tanto iniciantes como os de renome) passarem horas e horas à volta das primeiras frases das histórias.
Vamos pegar nalguns exemplos:
“Ouvi o meu vizinho através do parede.”
Corriqueiro e desinteressante. Podemos fazer melhor.

“O vizinho das traseiras praticava a terapia dos gritos todas a manhãs no chuveiro.”
Esta frases chama mais à atenção do leitor. Quem é o este sujeito que vqai gritar todos os dias para o chuveiro? Porque é que ele faz isso? O que é, realmente, a terapia dos gritos? Vamos continuar a ler!

“A primeira vez que ouvi, fiquei na casa de banho com o ouvido encostado à parede durante uns bons dez minutos, ponderando a possibilidade de chamar a Polícia. Era muito diferente de viver na casa germinada com o casal de meia idade Sr e Sra Brown e os seus dois filhos em Duluth.”

Este parágrafo introduz o conflito do protagonista, enquanto ele não sabe como agir, existe um contraste entre o passado e o presente. Podem ler mais sobre criar/manter conflito aqui.

No próximo artigo, que podem encontrar aqui, iremos continuar a preencher a história, até completarmos o nosso conto.

Parte do artigo foi traduzido e adaptado a partir desta ligação.

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