Chá de Domingo #60: Imaginauta

Hoje vamos estar à conversa com Carlos Silva da Imaginauta.

Pedro Cipriano: Queres falar-me um pouco da Imaginauta? Como surgiu? Para que?
Carlos Silva: A Imaginauta surgiu pela vontade de criar projectos relacionados com literatura reunidos sob uma única identidade. Queremos ser reconhecidos por um conjunto de qualidades que façam as pessoas seguir e apoiar as diversas iniciativas que vamos fazendo.
Queremos editar boas histórias, apoiar a literatura especulativa portuguesa, fazer bons eventos, iniciativas inovadoras e originais, movimentar o fandom, chamar a atenção para o género. 
O nosso primeiro projecto, o Serralves, é um bom símbolo disso mesmo. É uma antologia, mas de ficção científica de cunho espacial, um género pouco explorado por cá. No entanto, o Serralves é mais do que uma antologia, é um conjunto de obras de arte dispersa por vários suportes desde a literatura, passando pela ilustração e acabando nos RPG.
No entanto, não temos só uma face editorial, também gostamos de celebrar o entusiasmo pelos universos alternativos, como fizemos na organização do piquenique steampunk em conjunto com a Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas.
Ou pela distribuição gratuita de ebooks através dos cartazes da Biblioteca Fantasma, em que apoiámos e divulgámos o projecto Adamastor.
Estamos sempre à procura de novas ideias, de sugestões de pessoas vindas de fora, que nos apresentem livros, ou projectos que gostassem de fazer. Estamos sempre a trabalhar para nos tornarmos maiores e melhores.
PC: O que vos distingue de outros projectos virados para ficção especulativa como a Editorial Divergência ou Fantasy and Co?
CS: Fantasy and Co é uma colectividade de autores que publica contos online, pela sua natureza é diferente da Imaginauta. Já a Divergência se aproxima mais da faceta editorial da Imaginauta, uma vez que é uma micro-editora.

PC: Pode-se dizer que a imaginava está no meio dessas duas realidades? De qual se aproxima mais?

CS: Não, não diria ao meio, nem mais aproximada de um ou de outro, é algo que se afirma por si própria. Em termos editoriais, a Divergência e a Imaginauta têm linhas diferentes, o que é uma vantagem para os leitores. Têm duas propostas de ficção especulativa que podem seguir em simultâneo ou escolher a que preferem. E, sendo dois pequenos projectos independentes, são mais próximos do público, possibilitando um maior diálogo.

PC: De quem foi a ideia?
CS: Foi minha e decidi convidar o Vitor Frazão.
PC: E partir daí formaram o restante grupo que consta na vossa página?
CS: A Imaginauta, neste momento, sou eu e o Vitor Frazão. Depois, para cada projecto, recrutamos mais colaboradores e autores. Por exemplo, na colecção Barbante, tem sido a Inês Montenegro a nossa revisora.
PC: Como está a ser recebida a Colecção Barbante?
CS: Até agora, a recepção foi boa. Mas o verdadeiro teste de fogo vai ser quando a apresentarmos a quem não conhece ainda a Imaginauta.
PC: Quando vai acontecer isso?
CS: O próximo evento onde iremos estar presentes será em Fevereiro de 2016
PC: Qual foi o momento mais alto do vosso projecto, em que sentiram que o esforço de criarem isto valeu a pena?

CS: Cada vez que o público recebe bem um projecto nosso é uma vitória, que nos dá força para continuar, lembrando-nos que vale a pena. Não consigo eleger um momento mais alto.

PS: Qual é o próximo projecto que estão a preparar?

CS: Vamos continuar com a Barbante, temos mais um volume do Serralves em preparação e um evento temático na calha também.
PS: Obrigado pelo tempinho e pela disponibilidade em responder às minhas perguntas.

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