Chá de Domingo #22: ISBNs

Creio que este foi mesmo o assunto mais sério e polémico da semana.

Antes de mais, quem ainda não sabe disto precisa de ler a notícia a partir da fonte, aqui no site da APEL. Em resumo, a partir de 31 de Dezembro de 2014, a APEL deixa de contar com o financiamento do estado e como consequência, as atribuições de ISBNs passam a ser pagas. O ISBN (International Standard Book Number) serve para melhor identificar o livro numa determinada edição, usados bastante no comércio para, por exemplo, gerar códigos de barras.
Estas alterações estão a gerar uma onda de indignação entre os escritores, em especial os auto-publicados. Há mesmo quem classifique a acção como inaceitável. Os preços começam nos 15 euros e para projectos que distribuem ebooks de graça, como por exemplo o projecto Adamastor, tornam a actividade impossível. Muitos admitem deixar de pedir ISBN devido que consideram mais uma maneira de sacar dinheiro à cultura. A APEL defende-se, argumentando que noutros países o ISBN é pago.
A longo prazo, esta medida irá potenciar o aumento do preço dos livros auto-editados ou de pequenas editoras. Os mercados de nicho vão ficar ainda mais difíceis de manter o que a longo termo fará algumas pessoas desistir. Esta previsão parece exagerada? Talvez, mas é o que a maioria dos comentários nas redes sociais à notícia sugere.
Como pequeno editor estou preocupado. Já elaborei orçamentos e vi-me obrigado a pedir ISBN à pressa antes que o ano termine. Quinze euros parece não ser muito, mas numa edição de 100 exemplares é bastante significativo. Nenhuma das alternativas me parece realmente desejável: aumentar o preço dos livros para compensar, deixar de ter ISBN ou retirar este valor da já magra fatia da editora. É possível que os livros deixem de ter ISBN, pelo menos durante algum tempo.
Quantos livros são publicados em Portugal? Será que justifica pedir um preço tão elevado? Certamente que não, valores na ordem de dois ou três euros seriam suficientes para o serviço. Podem ler mais sobre uma possível solução aqui. Ser sócio da APEL e ter o serviço de graça só compensa para editoras que publicam mais do que 17 livros por ano. Nenhum autor auto-publicado nem pequeno projecto editorial faz isso, nem de perto.
Creio que foi dado mais um prego no caixão da cultura em Portugal. O que acham disto?

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