O Outro Mundo

A terra estremeceu com o salvo de artilharia. Paulo não receou, pois sabia estar relativamente seguro dentro da sua trincheira. O pior viria quando os canhões se calassem e os alemães atacassem. Segurou com força a sua espingarda guarnecida com baioneta e esperou pelo pior. A qualquer momento esperava ouvir disparos.
De súbito, uma estranha calma apoderou-se dele e pareceu contagiar todo o ambiente. Os disparos dos artilheiros cessaram. Não houve tiros nem explosões.
– O correio chegou! – ouviu os seus companheiros gritar.
Não tardou que o tenente aparecesse no seu buraco, rastejando pelo meio da lama. Ninguém se atrevia a colocar a sua cabeça mais alta que a borda, pois os franco-atiradores só precisavam de uma oportunidade para realizar o seu hediondo trabalho.
– É o teu dia de sorte. Chegou uma encomenda para ti – explicou o quarentão de cabelo grisalho.
O embrulho mudou de mãos e o oficial continuou o seu percurso pelo labirinto escavado naquele solo castanho.
Paulo rasgou o cartão, encontrando o livro que esperava há meses. Abriu o tomo, de nome Vollüspa, e num instante estava noutro mundo, bem longe dos horrores da guerra.

 

Esta vinheta foi criada para publicitar a colectânea Vollüspa e acabou por ter mais sucesso do que esperava.

 

Leia também

Deixar uma resposta