O Regresso da Revista Lusitânia

A Segunda Lusitânia, no qual participo, será lançada no Fórum Fantástico 2013, dia 16 às 14h15. Às 16h30 haverá uma sessão de autógrafos onde poderão pedir uma dedicatória, no exemplar adquirido, aos autores que participaram nesta edição.
Consultem o programa completo do Fórum Fantástico: http://forumfantastico.wordpress.com/programa-2013/
Entretanto, vou deixar-vos com alguns excertos dos contos que farão parte deste novo e tão aguardado número:
Primeiro excerto:
“E se Deus o subjugou à vontade do Diabo, atirando-o para um precipício imortal que mais valia que não o fosse, não deixou de o segurar por um dedo. E o homem do mar, corroído pelos tormentos do Inferno em vida, atraía até si a sardinha, o carapau e a petinga, que dos outros pescadores fugiam para saltarem de livre vontade para o seu pequeno barco.”
Segundo excerto:
 “A fonte dos leões estava ali, pronta a satisfazer-lhe a vontade. E ficava no caminho, a benevolente!
– Muito olham vocês… – murmurou, os olhos fixos nos caninos salientes dos animais de pedra. Parecera-lhe notar uma ligeira movimentação no momento em que a urina se esbatera contra a água da taça. Mas que sabia ele?
O suficiente, talvez.
Fora aquilo o restolhar de um par de asas? Apertou o fecho das calças, passando as mãos pela ganga. Cambaleando, subiu para o rebordo da fonte. A curiosidade matou o gato. E o que haveria ali para o matar?
A pedra rodou, os pescoços virando-se na sua direcção. Três grifos, o quarto fora da sua visão, escondido pelo pilar da fonte, fixaram-no num silêncio mortificador.
Nunca antes correra tão depressa.”
Terceiro excerto:

“Ao vê-lo a afastar-se, reparou que mancava. Pela primeira vez ocorreu-lhe que aquele homem vira o colapso a acontecer. Ela tinha dois anos de idade e não se lembrava de nada. Até há pouco tempo, o colapso da União Europeia não passava de um episódio histórico. Era provável que ele tivesse lutado contra os franceses, impedindo que ocupassem a cidade invicta, tal como o pai de Leonor fizera.
O merceeiro voltou, passando o conteúdo da caixa de madeira para o balcão. Uma saca com meio quilo de arroz, um quilo de batatas, uma lata de sardinhas, uma pequena chouriça, um saquinho com feijões secos, um pacote de farinha, dois nabos e quatro pêras.
― Só? ― queixou-se a jovem.
― Infelizmente é o que posso dar hoje. É a guerra menina, é a guerra…”



Ficamos à vossa espera no lançamento!
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